PROCEDIMENTOS ARQUIVÍSTICOS DO REIMAGINAR GUIMARÃES

 
A ideia ampla de conservação de espólios fotográficos do Reimaginar estrutura-se em quatro momentos base:
 
1 - Limpeza e digitalização

Limpeza

Depois da remoção de poeira e sujidade, a placa de vidro é limpa com uma solução aquosa simples, feita em partes iguais de água destilada  e álcool isopropílico. 

Digitalização
O processo de digitalização dos negativos da CFM obedeceu a três grandes vectores: 
- um projecto prévio de catalogação e indexação das imagens – neste caso sendo-lhes atribuída uma identificação própria, como imagens da CFM e um número sequencial [por exemplo PTRMGMRCFM0001 como Portugal, Reimaginar Guimarães, Colecção de Fotografia da Muralha 0001]; o respeito pela espécie digitalizada, traduzido na manutenção da sua natureza de imagem negativa, das suas dimensões originais; e a digitalização em scanner de varrimento a alta resolução, mantendo as medidas originais do objecto digitalizado, mas possibilitando sempre uma ampliação nunca inferior a uma medida padrão folha A3.
- a digitalização do original sem alterações à polaridade e à gama tonal.
- digitalização a alta resolução, esta linha traduz uma orientação de possibilidade de disponibilização e partilha das imagens com qualidade suficiente para estudo de pormenor.
 
2 – Acondicionamento
Depois de limpas e digitalizadas, as placas de vidro foram envolvidas individualmente em capilhas de papel acid-free, feitas manualmente. Os negativos encontram-se acondicionados em caixas de pH neutro.
 
3 – Classificação e Arquivamento
A digitalização de uma colecção fotográfica pressupõe a indexação  das imagens físicas às imagens digitalizadas. A sua identificação, descrição e legendagem é feita de acordo com o SEPIADES - Safeguarding European Photographic Images for Acess Digitization. A partir deste modelo foram adoptados e criados campos de descrição que não só garantem uma uniformização da Colecção num contexto arquivístico europeu, mas também atendem às especificidades da CFM.
 
4 - Datação
Datar mais de mil imagens de espaço público e largas centenas de retratos e fotografias de diversa natureza é uma operação complexa. A metodologia adoptada centrou-se na análise de fontes bibliográficas e iconográficas que, em conjunto, permitiram encontrar uma data aproximada, e em alguns casos exacta, para cada uma das imagens estudadas. Foram quatro as obras de referência utilizadas para este trabalho: Guimarães do Passado e do Presente, Guimarães Através do Bilhete Postal Ilustrado, O Labor da Grei e, da autoria de Maria José Queirós Meireles, O Património Urbano de Guimarães no Contexto da Idade Contemporânea (Séc. XIX—XX). Contudo, muitas outras fontes foram utilizadas para que, com rigor, se procedesse caso a caso à datação mais adequada. Da consulta de jornais à correspondência privada, com o recurso à análise de pormenores presentes nas fotografias: matrículas e modelos de automóveis, vestuário, características e mudanças urbanísticas e arquitectónicas, especificidades de casas comerciais, entre muitos outros. Para além desta análise endógena das imagens, numa segunda fase as mesmas foram objecto quer de uma análise ao seu suporte físico, quer de uma comparação com outras imagens semelhantes (e, em certos casos, sequenciais) que o tempo do arquivo tratou de dispersar e desligar. Este processo teve sempre por base a noção da sua natureza aberta, de trabalho em permanente progresso e diálogo (mais uma vez, a partilha): muitas das respostas que permitem, com facilidade, aprofundar a datação das imagens em estudo poderão encontrar-se nos milhares de edições ocasionais ou periódicas publicadas sobre Guimarães ao longo de todo o século XX. Mas também na memória de cada um dos que vêem a Colecção: reconhecendo um familiar, identificando um evento ou local e até determinando, pela observação de qualquer particularidade, a data exacta de uma das milhares de imagens da Colecção de Fotografia da Muralha.
 
[Retirado daqui]